Proteção

DPS: Para que Serve, Onde Instalar e Como Dimensionar no Quadro de Distribuição (QDC)

04/09/2026 · 8 min de leitura

Quantas vezes você já ouviu relatos de moradores que perderam televisores, placas de ar-condicionado, geladeiras inverter e portões eletrônicos logo após uma tempestade com raios? Na imensa maioria dos casos, a instalação contava com disjuntores modernos, mas não possuía o DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos).

Muitos profissionais e clientes ainda confundem: disjuntores protegem os condutores contra sobrecargas contínuas e curtos-circuitos; eles são lentos demais para enxergar um surto de tensão, que atinge picos de milhares de Volts em poucos microssegundos. É exatamente aí que atua o DPS.

1. O que é um Surto Elétrico (Sobretensão Transitória)?

Um surto elétrico é uma onda transitória de tensão de curtíssima duração (microssegundos), porém com amplitude extremamente elevada (podendo variar de centenas a dezenas de milhares de Volts). Ele pode ser originado por:

  • Descargas atmosféricas (raios): Que atingem diretamente a rede elétrica de distribuição ou o solo nas proximidades, induzindo campos eletromagnéticos violentos nos cabos.
  • Manobras na rede da concessionária: Chaveamento de grandes bancos de capacitores ou religamento de alimentadores de alta tensão após blecautes.
  • Ligue/desliga de grandes motores e cargas indutivas: Elevadores, máquinas de solda e compressores industriais na mesma vizinhança.

2. Como o DPS Funciona na Prática?

A tecnologia mais empregada nos DPS modulares para trilho DIN utiliza varistores de óxido metálico (MOV). Em condições normais de operação da rede (127V ou 220V), o varistor apresenta uma impedância altíssima (comportando-se como um circuito aberto, quase sem conduzir corrente).

No entanto, quando uma onda de sobretensão ultrapassa a tensão de operação contínua do DPS (Uc), a resistência do varistor despenca para valores próximos de zero em nanossegundos, drenando com segurança a corrente do raio direto para a malha de aterramento e limitando a tensão residual a patamares suportados pelos aparelhos eletrônicos (Up).

3. Classes de DPS Segundo a NBR 5410 e NBR 5419

Classe Onda de Ensaio Aplicação Recomendada
Classe I Onda 10/350 µs Entrada de edifícios com para-raios externo (SPDA) ou alimentados por linhas aéreas desprotegidas contra raios diretos.
Classe II Onda 8/20 µs Quadro Geral de Distribuição (QDC) residencial e comercial contra descargas indiretas e manobras na rede.
Classe III Onda combinada (1,2/50 µs) Proteção de ponto de uso (filtros de linha específicos para tomadas de computadores e servidores).

4. Como Ligar o DPS no QDC (Fase-Terra vs Fase-Neutro)

A ligação do DPS depende do esquema de aterramento adotado no imóvel (NBR 5410 item 6.3.5.2):

  • Esquema TN-S: Instala-se 1 DPS para cada condutor de Fase e 1 DPS para o condutor Neutro, todos descarregando para o barramento de equipotencialização/terra (PE). (Esquema 3 Fases + 1 Neutro = 4 módulos de DPS).
  • Esquema TT: Recomendado utilizar a ligação conhecida como modo comum/diferencial: DPSs de fase conectados ao neutro e um DPS centelhador robusto (tipo N-PE) conectado entre o neutro e a barra de aterramento.
⚠️ Dica de Ouro de Instalação: O comprimento dos cabos de conexão do DPS deve ser o menor possível! A norma NBR 5410 exige que a soma do comprimento dos cabos de alimentação do DPS mais o cabo de descida ao barramento de terra não ultrapasse 50 cm (idealmente menor que 30 cm). Cabos longos adicionam indutância parasita que anula a proteção contra ondas rápidas.

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